A Regra de Amor

 

A REGRA DE AMOR

 

"Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei, e os profetas." (Mateus 7:12)
 
É conveniente que prestemos alguma atenção especial a Mateus cap 7 verso 12, porque ele é um dos versículos mais conhecidos da Bíblia e, bastante triste, muito pouco praticado por aqueles que o conhecem.
 
A "Regra de Amor" veio a ser identificada de um modo especial com Jesus, mas o Senhor aqui a descreve como a verdadeira essência da "Lei e dos Profetas".

"Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei." (Romanos 13:9-10)
 
Memorável como é, esta passagem não abre nenhum novo assunto ético, mas é simplesmente uma reafirmação de Levítico cap 19 verso 18:

"... amarás a teu próximo como a ti mesmo."
 
Mas, se o mandamento para fazer aos outros o que quisermos que eles nos façam não é excepcional para Jesus, há certamente uma intensidade especial que ele lhe dá, pelo exemplo forte de seu próprio amor:

"Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei ..." (João 13:34)
 
Talvez a primeira coisa que precisa ser notada, sobre a "Regra de Amor", é que ela nos compele a tratar os outros começando por nós mesmos.
 
Não devemos determinar nosso tratamento aos outros olhando para eles e perguntando o que eles merecem, mas iniciando conosco mesmo e perguntando o que nós quereríamos e necessitaríamos.
 
Os filhos de Deus devem usar o seu entendimento de interesse próprio inato, para aprender como tratar os outros de um modo gracioso e amável.

Como?
 
Precisamos perguntar, desejaríamos ser tratados se estivéssemos nas mesmas circunstâncias que agora enfrentam nosso companheiro?
 
Que bem esta simples regra de conduta penetra nossos subterfúgios para nos justificarmos! Subitamente, para o coração humilde, o caminho se torna notavelmente claro.
 
Mas, se é assim, por que é que mais pessoas não praticam este princípio que haveria de, tão obviamente, revolucionar o mundo?
 
Basicamente, porque muitas pessoas são egoístas e egocêntricas. Todos os esforços para alterar os homens, educando-os pela "Regra de Amor", têm falhado, porque os objetos destes esforços repressores continuam a ser essencialmente egoístas.
 
Somente, quando aquela velha tendência a servir-se a si próprio for interrompida, é que os homens se libertarão para tratar os outros da maneira como gostariam de ser tratados.
 
Como então os homens vão ser liberados de seu básico egoísmo e ficarem livres para ver os outros como eles vêem a si próprios?
 
OLHANDO PRIMEIRO PARA DEUS

Nossa fascinação por nós próprios só pode terminar quando ficarmos fascinados por Deus.
 
Não é o maior mandamento de todos:

"Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Mateus 22:36-39)
 
Quando um amor absoluto por Deus, nos tirar de um absoluto amor próprio, libertar-nos-emos para amar os outros como nos amamos a nós mesmos.
 
Até que isso aconteça, o tipo de amor próprio demasiado, que guia muitos homens, impossibilitará que jamais sejamos capazes de ver os interesses dos outros do mesmo modo que vemos os nossos próprios.
 
O que isto diz é que somente Deus pode livrar-nos de nós mesmos e capacitar-nos a amar os outros de modo sem egoísmo.
 
"Nós amamos porque ele nos amou primeiro." (1 João 4:19)
 
Esta é a razão precisa por que nenhum homem que não olhou para a face de um Deus santo e amoroso, e caiu de joelhos em humilde gratidão, pode jamais praticar a regra de amor.
 
Este simples fato, muito provavelmente, explica porquê Jesus levanta de novo o assunto do amor ao próximo no contexto de Mateus 7.
 
Ele pode ajudar-nos a entender o sentido do "pois" de nosso texto de Mateus cap 7 verso 12. Lloyd-Jones sente que Mateus cap 7 verso 12 é uma volta ao assunto do julgar aos outros.

"Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem. Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?" (Mateus 7:6-11)
 
Parece mais provável que o Senhor está baseando sua instrução para o tratamento dos outros no gracioso tratamento que Deus dá a seus filhos:

"Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?" (Mateus 7:9-11)
 
A misericórdia de nosso Pai e a generosidade para conosco não foi o que merecemos, mas o que desesperadamente necessitamos.
 
Certamente, então, aqueles que têm recebido tal graça são exortados a tratar os outros, não na base do que eles merecem, mas do que eles necessitam.
 
Então, Jesus fecha o núcleo de seu Sermão, como ele o começou: com um apelo por uma verdadeira justiça que se revela num amor sem egoísmo pelos homens, um amor que repousa solidamente no gracioso amor de Deus por nós.

 

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