O Implac√°vel Amor de DEUS

 

O IMPLAC√ĀVEL AMOR DE DEUS

 

Quero lhe falar a respeito da palavra implac√°vel. Significa: n√£o diminuido em intensidade ou empenho - sem concess√Ķes, indefect√≠vel, imperec√≠vel, incapaz de ser mudado ou persuadido por argumentos. Ser implac√°vel √© estar fixado em um determinado curso.

Que maravilhosa descrição do amor de Deus. O amor de nosso Senhor é absolutamente implacável. Nada pode impedir ou diminuir sua amorosa perseguição em busca tanto de pecadores, quanto dos santos. Davi, o salmista, o expressa dessa maneira: "Tu me cercas por trás e por diante...Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também" (Salmo 139: 5,7-8).

Davi está falando dos grandes altos e baixos que enfrentamos na vida. Está dizendo: "Há épocas em que sou tão abençoado, que me sinto nas alturas com tanta alegria. Outras vezes, parece que estou dentro do inferno, condenado e indigno. Mas não importa onde eu esteja, ó Senhor - não importa o quão abençoado me sinta, ou qual seja a minha situação - Tu lá estás. E não consigo fugir do Teu implacável amor. E não consigo afastá-lo. Tu nunca aceitas os meus argumentos relacionados à minha indignidade. Até mesmo quando desobedeço - pecando contra a Tua verdade, assumindo que Tua graça já me é garantida - Tu nunca cessas Teu amor por mim. O Teu amor por mim é implacável!".

Num momento em que sentia-se derrubado, Davi ora: "Senhor, Tu assentastes minha alma em lugares celestiais. Me destes luz para compreender Tua palavra. Tu a tornastes l√Ęmpada para os meus p√©s. Mas ca√≠ tanto, que n√£o vejo como me recuperar. Fiz minha cama no inferno. E mere√ßo ira, puni√ß√£o. √Čs demasiadamente alto e santo para me amar na situa√ß√£o que estou".

Davi havia pecado seriamente. Este √© o mesmo homem que desfrutava da retaguarda espiritual dada por conselheiros piedosos; era monitorado por homens justos da parte de Deus; era ministrado pelo Esp√≠rito Santo. Ele recebia revela√ß√Ķes da palavra de Deus. Mesmo assim, a despeito de tantas b√™n√ß√£os e de sua vida consagrada, Davi desobedeceu completamente a lei de Deus.

Tenho certeza que você conhece a história do pecado de Davi. Ele cobiçou a esposa de um homem, e a engravidou. A seguir tentou cobrir seu pecado embriagando o esposo, na esperança de que este iria dormir com a esposa grávida. Quando isso não deu certo, Davi assassinou o marido. Combinou enviar este homem à uma batalha perdida, sabendo que este morreria.

As escrituras dizem: "isto que Davi fizera foi mal aos olhos do Senhor" (2 Samuel 11:27). Deus chamou os atos de Davi de "grande mal". E enviou o profeta Nat√£ para lhe dizer: "deste motivo a que blasfemassem os inimigos do Senhor" (12:14).

O Senhor ent√£o disciplinou Davi, dizendo que ele sofreria graves conseq√ľ√™ncias. Nat√£ profetiza: "tamb√©m o filho que te nasceu morrer√°" (12:14). Davi orou dia e noite pela sa√ļde de seu beb√™. Mas a crian√ßa morreu, e Davi sofreu profundamente pelas terr√≠veis coisas que havia causado.

No entanto, a despeito do pecado de Davi, Deus manteve-se perseguindo-o em amor. Enquanto o mundo zombava da fé deste homem caído, Deus deu a Davi um sinal de Seu implacável amor. Bate-Seba agora era esposa de Davi, e ela deu à luz outra criança. Davi "deu o nome de Salomão; e o Senhor o amou" (12:24). O nascimento e a vida de Salomão foram uma bênção para Davi, algo totalmente imerecido. Mas o amor de Deus por Davi jamais se reduziu, até mesmo na hora de sua maior vergonha. Ele buscou Davi implacavelmente.

Considere também o testemunho do apóstolo Paulo. Quando lemos a vida de Paulo, vemos um homem disposto a destruir a igreja de Deus. Paulo era como um louco em seu ódio pelos cristãos. Ele respirava ameaças de morte contra todos os que seguissem Jesus. Ele buscou autorização do sumo sacerdote para caçar os crentes, poder atacar suas casas, e arrastá-los à prisão.

Após se converter, Paulo testifica que mesmo durante aqueles anos cheios de ódio - enquanto estava cheio de preconceitos, matando cegamente os discípulos de Cristo - Deus o amava. O apóstolo registra: "Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8). Ele diz basicamente: "Mesmo eu não tendo consciência disso, Deus estava me buscando. Ele continuou me perseguindo em amor, até o dia em que literalmente me fez cair do cavalo. Esse é o implacável amor de Deus".

Ao longo dos anos, Paulo foi se tornando cada vez mais convencido de que Deus o amaria fervorosamente at√© o fim, em meio a todos seus altos e baixos. Ele declara: "Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as cousas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poder√° separar-nos do amor de Deus, que est√° em Cristo Jesus, nosso Senhor" (8:38-39). Ele estava declarando: "Agora que estou em Deus, nada pode me separar do Seu amor. Nenhum diabo, nenhum dem√īnio, nenhum principado, nenhum homem, nenhum anjo - nada pode fazer Deus parar de me amar".

A maioria dos crentes lê esta passagem vez após outra. Ouviram-na sendo pregada há anos. Contudo acredito que a maioria dos cristãos acha que as palavras de Paulo são impossíveis de serem cridas. Toda vez que a maioria de nós peca e falha com Deus, perdemos todo o senso da verdade do Seu amor por nós. Então, quando algo de mal nos acontece, pensamos: "Deus está me chicoteando". Acabamos pondo a culpa em Deus por qualquer problema, luta, doença e dificuldade.

Na realidade, estamos dizendo que "Deus parou de me amar, porque falhei com Ele. Eu O desagradei, e Ele está zangado comigo". De repente nós paramos de compreender o implacável amor de Deus por nós. Esquecemos que Ele está continuamente indo em busca de nós o tempo todo, não importando qual seja a nossa condição. Contudo, a verdade é que não podemos enfrentar a vida com todos os seus terrores e sofrimentos, sem nos agarramos à essa verdade. Temos de estar convencidos do amor de Deus por nós.

Conheço muitos ministros que falam muito do amor de Deus, e livremente o oferecem aos outros. Mas quando o inimigo chega bramindo como uma inundação para dentro de suas próprias vidas, eles são levados. Caem numa poça de desespero, incapazes de confiar na palavra de Deus. Eles não conseguem acreditar que Deus ainda os aceite, por estarem convencidos de que Ele desistiu deles.

Paulo chega a esse assunto crucial a todos n√≥s, atrav√©s de um √ļnico vers√≠culo. Ele havia escrito duas cartas aos cor√≠ntios. E escolheu terminar a √ļltima com essa prece: "A gra√ßa do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunh√£o do Esp√≠rito Santo sejam com todos v√≥s" (2 Cor√≠ntios 13:14).

Talvez voc√™ reconhe√ßa esse vers√≠culo. Ele √© muitas vezes usado nos cultos da igreja como b√™n√ß√£o. Geralmente √© dito como h√°bito pelo pastor, e poucos ouvintes alcan√ßam o seu enorme significado. No entanto esse verso n√£o √© s√≥ uma b√™n√ß√£o. √Č o resumo de tudo que Paulo ensina aos cor√≠ntios quanto ao amor de Deus.

Esse vers√≠culo trata com tr√™s quest√Ķes divinas: a gra√ßa de Cristo, o amor de Deus, e a comunh√£o do Esp√≠rito Santo. Paulo estava orando para que os cor√≠ntios se apossassem destas verdades. Creio que se n√≥s tamb√©m compreendermos estas tr√™s quest√Ķes, nunca mais duvidaremos do implac√°vel amor de Deus por n√≥s:

1. Primeiro, Paulo Considera a Graça de Jesus Cristo

O qu√™ exatamente √© gra√ßa? Quanto a isso sabemos o seguinte: seja a gra√ßa o qu√™ for, Paulo diz que ela nos educa para que, "renegadas a impiedade e as paix√Ķes mundanas, vivamos, no presente s√©culo, sensata, justa e piedosamente" (Tito 2:12).

Como chegar a esse ponto, onde poderemos ser ensinados pela gra√ßa? E qual o ensino que a gra√ßa oferece? De acordo com Paulo, a gra√ßa nos educa a renegar a impiedade e as paix√Ķes mundanas, e a ter vidas puras e santas. Se √© assim, ent√£o necessitamos que o Esp√≠rito Santo fa√ßa brilhar em nossas almas a verdade fundamental desta doutrina.

Encontramos o segredo da declara√ß√£o de Paulo quanto √† gra√ßa em 2 Cor√≠ntios 8:9. Ele afirma: "Pois conheceis a gra√ßa de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de v√≥s, para que, pela sua pobreza, vos torn√°sseis ricos". Paulo n√£o est√° falando de riqueza material aqui, mas de riquezas espirituais. (In√ļmeras passagens provam isso. Em todas as suas cartas, Paulo fala das riquezas da gl√≥ria de Cristo, riquezas de sabedoria, riquezas de gra√ßa, de ser rico em miseric√≥rdia, f√© e boas obras. Igualmente, o Novo Testamento se refere √† riquezas espirituais como opostas √† enganosa riqueza do mundo.)

Paulo está nos dizendo: "Aqui está tudo que você precisa saber quanto ao significado da graça. Chega a nós através do exemplo do Senhor. Em termos simples, Jesus veio abençoar e edificar os outros às Suas próprias custas. Essa é a graça de Cristo. Apesar de ser rico - em nosso favor se tornou pobre, para que através de Sua pobreza nos pudéssemos tornar ricos".

Jesus não veio para se mostrar grande ou para trazer glória para Si mesmo. Ele abriu mão de todos os direitos em relação à palavra "eu", objetivando toda ênfase sobre "os meus". Cristo deixou passar todas as oportunidades para ser o maior dentre os homens do Seu tempo. Pense nisso: Ele nunca orou pedindo bênçãos para Si próprio, para que fosse conhecido ou aceito pelos outros. Ele não ficou mostrando o Seu peso divino para ganhar poder ou reconhecimento. Ele não se exaltou às custas dos pobres, ou dos menos capazes. E não se glorificou em Seu próprio poder, habilidade ou resultados. Não, Jesus veio para edificar o corpo. E provou isso glorificando-se nas bênçãos de Deus para com os outros.

Quando Cristo andou pela terra, Ele n√£o competia com ningu√©m. Certamente ouvia Seus disc√≠pulos glorificando os Seus poderosos feitos. No entanto, em toda humildade, Jesus respondia: "Voces far√£o mais do que Eu. Acreditem: voc√™s realizar√£o obras maiores do que as Minhas". Posteriormente, quando Lhe chegaram not√≠cias de que os disc√≠pulos estavam operando exatamente estas obras, expulsando dem√īnios e curando pessoas, Ele dan√ßou de alegria.

Quantos de nós podem declarar tal tipo de graça? Segundo vejo, isso dolorosamente falta em muito da igreja. Poucos cristãos verdadeiramente se rejubilam quando vêem seus irmãos ou irmãs sendo abençoados por Deus. Isso é especialmente verdadeiro quanto a pastores. Quando vêem um outro ministro colhendo as bênçãos de Deus, eles pensam unicamente na situação deles mesmos. Eles dizem: "Há anos que luto em oração. Mas agora esse pastor jovem chega na cidade, e Deus começa a derramar bênçãos sobre ele. E eu?".

Cá esta o implacável amor de Deus: alegrar-se ao ver outros abençoados mais do que nós mesmos. Paulo escreve: "O amor seja sem hipocrisia (dissimulação)...Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros" (Rom. 12: 9-10). Eis uma graça que deseja se conservar humilde, mesmo quando se alegra nas bênçãos dos outros.

Na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, Ele Descreve Ter Visto Muito Pouco Desse Tipo de Graça

Paulo encontrou os crist√£os cor√≠ntios em competi√ß√£o entre si. A igreja estava cheia de auto-exalta√ß√£o, auto-promo√ß√£o. Homens e mulheres se glorificavam em seus dons espirituais, se chocando em busca de status e posi√ß√Ķes. Eles competiam ate √† mesa de comunh√£o. Crentes importantes desfilavam seus alimentos ex√≥ticos, enquanto os pobres n√£o tinham o que trazer. Outros eram t√£o orgulhosos, que n√£o achavam nada de mais processar judicialmente o outro para resolver as disputas.

Tudo isso era contrário à graça que Paulo pregava. Esses coríntios tinham um imenso "Eu" carimbado sobre si. Com eles a coisa era ganhar e pegar, em vez de dar. Ainda hoje a palavra "coríntio" traz a conotação da carnal idade e do mundanismo deles.

Paulo diz a estes crentes: "Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais e sim como a carnais, como a crianças em Cristo...não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?" (I Coríntios 3:1,3). Pense no que Paulo está dizendo. Crianças buscam satisfazer unicamente as suas necessidades. Eles choram para se trocar as fraldas. E os coríntios eram infantis exatamente assim. Eram pessoas tolerantes com o pecado, alguns se entregando a fornicação e até ao incesto.

Ao pensarmos nestes crentes, a palavra "santamente" não nos vem a mente. Contudo, apesar de toda carnal idade, Deus direcionou Paulo a escrever à essas pessoas como "igreja de Deus...aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos...graças a vos outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (1:2.3).

Isso foi um erro? Ser√° que Deus estava fazendo vistas grossas diante da permissividade da igreja? N√£o, nunca. Deus sabia tudo que se referia √† situa√ß√£o dos cor√≠ntios. E Ele nunca fingiu n√£o ver esses pecados. N√£o, esse endere√ßamento cheio de gra√ßa que Paulo traz √† essas pessoas √© um retrato do implac√°vel amor de Deus. Tente imaginar o quanto os cor√≠ntios ficaram at√īnitos ao ouvirem a carta de Paulo sendo lida na igreja. C√° estavam crentes cheios de si, tentando ser o n√ļmero um do grupo. Ainda assim, escrevendo sob inspira√ß√£o divina, Paulo se dirige a eles como "santos" e "santificados em Cristo". Por que? Deus estava protegendo essas pessoas. Eu explico.

Se Deus nos julgasse segundo a nossa condição, seríamos salvos num minuto e condenados no outro. Seríamos convertidos dez vezes no dia, e nos desviaríamos dez vezes diariamente. Todo cristão honesto tem de admitir que a sua condição, na melhor das hipóteses, é de luta. Todos nós ainda estamos lutando, ainda tendo de depender da fé nas promessas de misericórdia de Deus. Isso porque ainda temos fraquezas e fragilidades em nossa carne.

Gra√ßas a Deus, Ele n√£o nos julga segundo a nossa situa√ß√£o. Em vez disso, Ele nos julga segundo a nossa posi√ß√£o. Veja, mesmo sendo fracos e pecaminosos, demos os nossos cora√ß√Ķes a Jesus, e pela f√© o Pai nos assentou com Cristo no celestial. Esta √© a nossa posi√ß√£o. Portanto, quando Deus olha para n√≥s, Ele nos v√™ n√£o segundo a nossa condi√ß√£o pecaminosa, mas segundo nossa posi√ß√£o celestial em Cristo.

Por favor não entenda mal. Quando digo que Deus dá segurança ou protege o Seu povo em graça, não estou falando de uma doutrina que permite que os crentes continuem na promiscuidade pecaminosa. A Bíblia deixa claro que é possível a qualquer crente se afastar de Deus e rejeitar o Seu amor. Tal pessoa pode endurecer o coração tão repetidamente, e com tanta rigidez, que o amor de Deus não penetrará mais nas muralhas que ela erigiu.

Neste instante, voc√™ pode estar numa condi√ß√£o como a dos cor√≠ntios. Mas Deus v√™ a sua posi√ß√£o como estando unicamente em Cristo. Foi assim que Ele tratou com os cor√≠ntios. Quando Deus olhou para eles, Ele sabia que n√£o tinham recursos para mudar. Eles n√£o tinham nenhum poder em si pr√≥prios para subitamente se tornarem piedosos. √Č por isso que Ele inspirou a se dirigir a eles como santos santificados. O Senhor desejava que eles conhecessem a seguran√ßa da sua posi√ß√£o em Cristo.

Você luta contra uma fraqueza? Se é assim, saiba que Deus nunca será impedido em Seu amor por você. Ouça-O lhe chamando "santo", "santificado", "aceito". E apodere-se da verdade que Paulo descreve: "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" (I Coríntios 1:30).

2. Paulo a Seguir Fala do Amor de Deus

Na primeira ep√≠stola de Paulo ao cor√≠ntios, ele dirige-se √† necessidade da gra√ßa de Deus. Isso devido √†s quedas desse povo. Mas em sua segunda carta, Paulo se concentra no amor de Deus. Ele sabia que o implac√°vel amor de Deus era o √ļnico poder capaz de transformar o cora√ß√£o de algu√©m. E a segunda carta de Paulo prova que Deus escolhe usar o Seu amor, como maneira de mostrar o Seu poder.

Primeiro Cor√≠ntios 13:4-8 nos d√° uma poderosa verdade quanto ao implac√°vel amor de Deus. Sem d√ļvida, voc√™ ouviu essa passagem muitas vezes, tanto em serm√Ķes como em casamentos: "A caridade [amor] √© sofredora, √© benigna; a caridade n√£o √© invejosa; a caridade n√£o trata com leviandade, n√£o se ensoberbece, n√£o se porta com indec√™ncia, n√£o busca os seus interesses, n√£o se irrita, n√£o suspeita mal; n√£o folga com a injusti√ßa, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo cr√™, tudo espera, tudo suporta. A caridade nunca falha".

A maioria de n√≥s pensa: "Esse √© o tipo de amor que Deus espera de n√≥s". √Č verdade, de certa maneira. Mas o fato √© que ningu√©m pode corresponder a essa defini√ß√£o de amor. N√£o, essa passagem √© toda relacionada ao amor de Deus. O verso 8 prova isso: "A caridade [amor] nunca falha". O amor humano falha. Mas aqui est√° um amor que √© incondicional, que nunca desiste. Ele op√Ķe-se e resiste √† qualquer falta, a qualquer desapontamento. Ele n√£o exulta com os pecados dos filhos de Deus; pelo contr√°rio, sofre com estes pecados. E ele resiste a todos os argumentos de que somos mui pecadores e indignos para sermos amados. Em resumo, esse tipo de amor √© implac√°vel, e nunca p√°ra em sua persegui√ß√£o ao amado. Isso s√≥ pode descrever o amor do Deus Todo-Poderoso.

Veja como esse poderoso amor afetou Paulo. Em sua primeira carta aos cor√≠ntios, o ap√≥stolo tinha todas as raz√Ķes para desistir da igreja. Ele tinha v√°rios motivos para estar zangado com eles. E ele poderia facilmente t√™-los exclu√≠do, no desespero devido √† infantilidade e √† pecaminosidade deles. Ele poderia ter iniciado a carta desta maneira: "Lavo as m√£os com voc√™s. Voc√™s s√£o totalmente incorrig√≠veis. Esse tempo todo eu me desmanchei em favor de voc√™s; por√©m, quanto mais os amo, menos voc√™s me amam. Ent√£o √© isso: eu os deixo a vontade. V√£o em frente e briguem entre si. O meu trabalho com voc√™s est√° acabado".

Paulo nunca poderia ter escrito isso. Por que? Porque ele havia sido cooptado pelo amor de Deus. Em I Coríntios, lemos de ele entregar um homem a Satanás, para a destruição da carne desse homem. Isso soa áspero. Mas qual era o propósito de Paulo? Era que a alma desse homem pudesse ser salva (v. I Coríntios 5:5). Também vemos Paulo reprovando, corrigindo e admoestando duramente. Mas ele fez tudo isso em meio à lagrimas, com a ternura de uma ama.

Como os coríntios carnais reagiram à mensagem de Paulo que falava do amor triunfante de Deus? Eles se derreteram diante de suas palavras. Paulo posteriormente lhes disse: "vós...segundo Deus, fostes contristados!...agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis. Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação" (2 Corintios 7:11, 9-10). Paulo estava dizendo: "Vocês se purificaram, ficaram indignados com seus pecados, e agora estão plenos do zelo e temor de Deus. Vocês se mostraram puros e limpos".

Digo-lhe o seguinte: esses coríntios foram transformados pelo poder do implacável amor de Deus. Ao lermos a segunda carta de Paulo para eles, descobrimos que o grande "Eu" nessa igreja havia desaparecido. O poder do pecado havia sido rompido, e o egoísmo tinha sido digerido pelo pesar piedoso. As pessoas não estavam mais amarradas em dons, sinais e maravilhas. A ênfase delas agora era dar em vez de receber. Elas juntaram ofertas para serem enviadas a crentes que haviam sido atacados por uma grande fome. E a mudança veio pela pregação do amor de Deus.

Eu pessoalmente me vejo convencido por essa verdade. Quando era mais jovem, eu pregava mensagens sobre o mal nas igrejas. Eu me desesperava diante do estado deplor√°vel de tantos dentro o povo de Deus. E me dispus a corrigir essas coisas com uma espada e um martelo. Eu atacava as concess√Ķes e contemporiza√ß√Ķes, e esmagava tudo √† vista. E no processo, coloquei sob condena√ß√£o pessoas que nunca deveriam estar l√°.

Se Paulo tivesse pregado desse jeito em Corinto, ele certamente teria esmagado a carnalidade, derrubado os fornicadores, e parado com o h√°bito de processarem uns aos outros na justi√ßa. Mas aquela igreja teria se dissolvido. N√£o sobraria gente para Paulo reprovar. Uma prega√ß√£o assim "na cara" √© m√° direcionada pelo zelo humano. Freq√ľentemente √© resultado de um pastor n√£o ter tido √≠ntima revela√ß√£o pessoal do amor de Deus por ele.

3. Finalmente, Paulo se Concentra na Comunhão do Espírito Santo

A frase em grego que Paulo usa se traduz: "a comunhão do Espírito Santo". Inicialmente, os coríntios nada conheciam quanto à essa comunhão. O corpo da igreja explodia em individualismo. Paulo diz o seguinte deles: "Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo" (I Coríntios 1:12).

Esse individualismo caminhava com os dons espirituais das pessoas. Aparentemente, os coríntios vinham à igreja só para se edificarem a si próprios. Um vinha com o dom de línguas, outro com uma profecia, um outro com uma palavra de sabedoria - contudo estavam usando seus dons para servirem a si próprios. Todo mundo queria ir embora dizendo: "Dei uma palavra de profecia hoje", ou, "Falei poderosamente no Espírito". E isso estava causando desordem total. Paulo faz um chamado explícito à ordem, instruindo-os: "Aprendam a manter a paz. Deixem os outros falarem. Busquem edificar o corpo, e não só a vocês próprios".

A obra mais profunda do Esp√≠rito Santo trata com mais do que dons espirituais. Sinais, maravilhas e milagres s√£o necess√°rios, e t√™m o seu lugar. Mas a obra mais preciosa do Esp√≠rito de Deus √© unir o corpo de Cristo. Ele procura estabelecer comunh√£o entre o povo de Deus, pelo Seu poder unificador. Contudo, freq√ľentemente hoje em dia, quando falamos da comunh√£o do Esp√≠rito Santo, ainda tendemos a pensar individualmente. Pensamos em termos de "eu e o Esp√≠rito Santo", dizendo, "O Esp√≠rito e eu desfrutamos intimidade em Cristo".

Paulo junta comunh√£o e unidade aos dois pontos que j√° mencionamos: a gra√ßa de Cristo e o amor de Deus. Ele diz, basicamente: "Para entender verdadeiramente estes dois pontos, eles t√™m de juntar essas partes na sua vida. √Č assim que voc√™ pode medir a gra√ßa de Cristo e o amor de Deus em sua vida. √Č determinado pela sua vontade de estar em plena unidade e unicidade com todo o corpo de Cristo".

O que quer dizer ter unidade e unicidade? Quer dizer remover toda inveja e competição, e deixar de se comparar aos outros. Em vez disso, cada um se alegrar quando o irmão ou irmã é abençoado. E todos estarem ansiosos para dar em vez de receber. Unicamente esse tipo de comunhão verdadeiramente revela a graça de Cristo e o amor de Deus.

Essa Mensagem Reduz-se a Um Ponto: Eu Estou Querendo Mudar ?

A pergunta √©: "Eu realmente quero deixar o Esp√≠rito Santo me mostrar onde preciso mudar?". Veja, h√° um prop√≥sito por tr√°s do amor implac√°vel de Deus. √Č esse: h√° poder no amor de Deus para solucionar todos os problemas atrav√©s de sua transforma√ß√£o.

Se você me diz que é uma pessoa de bem - boa, caridosa, per doadora, lavada no sangue de Cristo - eu respondo: o amor de Deus concede mais do que perdão. Você pode ser uma pessoa boa e perdoada, mas continuar governada e escravizada por sua natureza pecaminosa. Todos nascemos com a natureza de Adão, a tendência para o pecado. Em verdade, é essa natureza em nós que nos torna facilmente provocáveis, invejosos, lascivos, zangados, não per doadores. Essa mesma natureza em nós é que ama o dinheiro, planta sementes de destruição, e não consegue se alegrar quando os outros são abençoados.

Se você tem lutado contra a sua natureza de pecado, está travando uma batalha perdida. Tal natureza não pode ser mudada. Ela sempre será carne e sempre resistirá ao Espírito Santo. A nossa natureza carnal está além da redenção, e portanto ela precisa ser crucificada. Isso significa admitir o seguinte: "Jamais conseguirei agradar a Deus por mim mesmo. Sei que a minha carne nunca poderá me auxiliar".

Todos temos de receber uma natureza nova, e essa natureza é exatamente a natureza de Cristo. Não se trata de refazer a nossa velha natureza, ou de uma re-elaboração da nossa carne. O que é velho tem de partir. Estou falando é do nascimento de uma natureza totalmente nova. E a Nova Aliança concede recursos para isso: "Pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina" (2 Pedro 1:4).

O amor de Deus nos diz: "Quero lhe assegurar de sua posição em Cristo. Você precisa desistir de tentar mudar a natureza da sua carne, e me deixar lhe dar a natureza do meu Filho. Há senão uma condição para que isso ocorra: simplesmente crer. Essa transformação na natureza vem unicamente pela fé. Você precisa crer que serei Deus para você".

Amado, todo crente pode se tornar como Jesus tanto quanto ele ou ela deseje. Se você pode simplesmente dizer: "Creio que Deus me ama de verdade", está confessando que Ele lhe ofereceu poder para ser transformado.

Torne sua essa oração hoje: "Santo Espírito, sei que não tenho muito da graça sobre a qual Paulo fala. Mostre onde preciso mudar. Creio que o meu Pai me ama implacavelmente. E esse amor me deu recursos para que eu assuma a natureza dEle . Sei que me foi concedido o poder para ser transformado por Ti. Dê-me a Tua natureza, Jesus".

 



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